As três federações do transporte rodoviário do Estado de São Paulo – FETCESP, que representa o transporte de cargas; FETPESP, ligada ao transporte de passageiros; e FRESP, voltada ao transporte de passageiros por fretamento, acabam de lançar o Panorama ESG do Transporte Rodoviário no Estado de São Paulo.
A publicação é o primeiro estudo setorial dedicado a medir, com base em uma norma técnica, o grau de maturidade das empresas de transporte em práticas ambientais, sociais e de governança, reunidas na agenda ESG.
O levantamento foi desenvolvido e operado tecnicamente pela Easy ESG, com patrocínio da Mercedes-Benz e do Despoluir – Programa Ambiental do Transporte, mantido pela CNT e pelo SEST SENAT.
A iniciativa integra a Aliança Transporte Sustentável, movimento que reúne, pela primeira vez, as três federações do setor no Estado em torno de uma agenda comum e do mote “Movendo o setor rumo ao futuro”.
Mais do que apresentar um retrato do momento atual, o panorama se propõe a estabelecer uma base de acompanhamento para os próximos anos. A partir dos resultados, cada empresa e o setor como um todo poderão medir sua evolução, identificar oportunidades de melhoria e orientar ações práticas para avançar em sustentabilidade.
A avaliação seguiu a ABNT PR 2030, norma brasileira que organiza a agenda ESG em eixos, temas e critérios e classifica a maturidade das organizações em cinco níveis, que vão de Elementar a Transformador.
As empresas participantes responderam a um questionário e tiveram suas respostas auditadas na plataforma da Aliança. Os resultados são apresentados de forma anônima e agregada, sem identificação de qualquer organização.
Entre as empresas do Estado de São Paulo com auditoria concluída, o setor alcançou score médio de 24,5%, correspondente ao nível Não Integrado. Esse estágio indica que já existem práticas de sustentabilidade em andamento, mas que elas ainda não estão plenamente conectadas à estratégia e à rotina de gestão das organizações.
O desempenho por eixo aparece de forma relativamente equilibrada: Social, com 26,2%; Ambiental, com 25,4%; e Governança, com 22,0%.
Um dos achados mais expressivos do estudo está na amplitude dos resultados. As notas variam de 5,7% a 71,7%, revelando um setor de “duas velocidades”: de um lado, empresas ainda em estágio inicial; de outro, organizações que já operam a agenda ESG de maneira mais estruturada.
A maior concentração, contudo, está no nível Não Integrado, o que aponta para um caminho claro de evolução a partir de iniciativas aplicáveis ao dia a dia das operações.
O comparativo por atividade econômica também traz indicações importantes para o setor. No recorte por CNAE, o segmento de cargas apresenta a maior maturidade média, à frente dos segmentos de passageiros e de fretamento. Essa diferença pode contribuir para orientar prioridades, estimular trocas de boas práticas e apoiar estratégias específicas para cada perfil de operação.
Palavras dos presidentes
Para Carlos Panzan, presidente da FETCESP, o estudo reforça a necessidade de transformar responsabilidade em competitividade. “O transporte rodoviário de cargas move a economia do Estado de São Paulo, e essa responsabilidade nos obriga a olhar para o futuro. Medir nosso nível de desenvolvimento, com o rigor de uma norma técnica, é o primeiro passo para transformá-lo em competitividade”, afirma.
Mauro Herszkowicz, presidente da FETPESP, destaca o papel da sustentabilidade na qualificação da mobilidade urbana. “Transporte público sustentável é um investimento que pode mudar a mobilidade da população e tornar nossas cidades mais acessíveis e justas. A Aliança é o meio para essa mudança, integrando o setor privado e a sociedade para garantir um transporte eficiente, alinhado aos compromissos sociais e ambientais e ao desenvolvimento urbano mais qualificado”, afirma.
Na avaliação de Milton Zanca, presidente da FRESP, a união das federações representa um marco para o transporte rodoviário paulista. “A união das três federações em torno de uma agenda comum é, por si só, uma conquista histórica e um marco para o fortalecimento do transporte rodoviário. Para o setor de fretamento, que desempenha um papel essencial na promoção da mobilidade segura, eficiente e sustentável, esta iniciativa é o primeiro passo desta jornada de evolução contínua”, afirma.
Com o lançamento do panorama, as federações reforçam o compromisso de apoiar o transporte rodoviário paulista em uma jornada de evolução contínua, baseada em dados, cooperação setorial e práticas capazes de aproximar sustentabilidade, eficiência e desenvolvimento.